Afinal, o que é o Amor?

(por Tânia M. da Cruz)

“Sou uma mãe de três crianças (14,12 e 13 anos) e recentemente terminei minha faculdade. O último trabalho que tive que apresentar foi o de sociologia. O professor apresentou um projeto chamado sorriso.

Foi solicitado à classe que saísse, sorrisse para três pessoas e documentasse suas reações.

Logo depois da aula, eu, meu marido e meu filho mais novo fomos à uma lanchonete. Estávamos na fila esperando nossa vez, quando repentinamente todos à minha volta começaram a se agitar e a se afastar, inclusive meu marido.

Eu não me movi um centímetro… Me virei para ver porque tinham se afastado. Foi quando senti o terrível cheiro de corpo sujo e lá estavam dois pobres mendigos. Quando olhei para o que estava mais próximo, ele estava sorrindo. Seus bonitos olhos azuis estavam cheios da luz de Deus e procuravam por simples aceitação.

– Bom dia. – Ele disse timidamente enquanto contava as poucas moedas que tinha. O segundo homem permanecia atrás de seu amigo, agitando os braços. Observei que o segundo homem tinha deficiência mental e o cavalheiro dos olhos azuis era o seu guardião. A garçonete perguntou o que queriam.

– Apenas café, senhorita. – respondeu, porque era tudo que poderiam comprar com os recursos que tinham. Se quisessem sentar no restaurante para se aquecer, tinham que comprar alguma coisa. E o que queriam mesmo era se aquecer.

Então eu realmente senti uma compulsão tão grande que quase estendi a mão e abracei o homem dos olhos azuis.

Foi quando notei que todos os olhos na lanchonete me observavam, julgando cada ação minha. Eu sorri e pedi que a garçonete acrescentasse duas refeições, um pequeno almoço, em bandejas separadas. Fui até onde os homens tinham se sentado e pus as bandejas sobre a mesa e coloquei minha mão sobre a fria mão do homem dos olhos azuis. Ele me olhou emocionado e agradeceu.

Inclinando-me um pouco, respondi, – Não sou eu que faço isto por vocês. É Deus que está trabalhando aqui, através de mim, para dar-lhe esperança.

Me afastei para juntar-me a meu marido e meu filho. Quando me sentei, meu marido me sorriu e disse, – É por isso que Deus me deu você, querida. Para me dar esperança.

Aquele dia me mostrou a pura luz do doce amor de Deus.

Retornei à faculdade, para a última aula, com esta história nas mãos. Eu a transformei em meu projeto e o professor o leu. Então olhou para mim e disse, – Posso compartilhar isto?

Eu concordei e ele pediu a atenção da classe.

Começou a ler e todos nós percebemos que, como seres humanos, temos a necessidade de curar as pessoas e de sermos curados. Ao meu jeito, eu tinha tocado as pessoas naquela lanchonete, em meu marido, em meus filhos, em meu professor, em cada alma daquela sala onde tive a última aula como um estudante de faculdade. Eu me formei com uma das maiores e mais importantes lições que aprendi:

Aceitação incondicional.

“Amar as pessoas e usar as coisas ao invés de amar as coisas e usar as pessoas”