SIMULAÇÃO

A malandragem de Luizão simulando um pênalti e Rivaldo uma bolada no rosto no jogo do Brasil contra a Turquia é uma atitude bem nossa em situações corriqueiras. A diferença é que não estamos na frente das câmeras. Mas isto também não é muito garantido quando quase tudo está sendo monitorado. A tecnologia inventada pelo ser humano está sendo a principal testemunha contra um dos piores defeitos da raça humana: a simulação, a mentira, a hipocrisia, a falsidade. Jogadores de futebol, políticos, cantores, religiosos, babás, motoristas, policiais, juízes, enfim, ninguém está escapando das câmeras, gravadores, telefones grampeados, que descobrem palavras e ações comprometendo a integridade moral antes intocável. E mesmo que a malandragem do “jeitinho brasileiro” esteja incorporada não só no nosso futebol mas em quase tudo, ainda bem que tem gente que fica com vergonha das coisas desonestas que faz. E são estas pessoas com vergonha na cara que merecem uma taça de campeão, um cargo na política, ou qualquer outra função com responsabilidade. Pois “quem engana os outros e diz que é brincadeira é como um louco brincando com uma arma mortal” (Provérbios 26.18,19)

Mas também é hipocrisia falar dos outros. Afinal, mesmo hoje estando difícil, ainda é possível enganar as pessoas. Mas é impossível enganar a Deus. Podemos até enganar a esposa, o marido, os filhos, o patrão, o empregado, o juiz, a polícia, a congregação, o povo, e até nós. Mas como diz o salmista, “ó Deus Eterno, tu me examinas e me conheces. Sabes tudo o que eu faço; de longe conheces todos os meus pensamentos. Tu me vês quando estou trabalhando ou quando estou descansando; tu conheces as minhas ações. Antes mesmo que eu fale, tu já sabes o que eu vou dizer” (Salmo 119.1-4). Assim, nosso peito estufado, nariz empinado, nossa presunção e arrogância, tudo cai na lama da imundície diante da sonda secreta do Deus que vê e sabe tudo.

Luizão e Rivaldo contaram vantagens com a simulação pensando que foram espertos e que fizeram a melhor coisa do mundo. Mas este tipo de vanglória não traz nenhuma honra. Ninguém se alegra com uma taça erguida pela mentira. Pior quando o assunto é justiça divina. Então é bom lembrar que Deus é absolutamente justo “para que todos parem de dar desculpas e para que todas as pessoas do mundo fiquem sujeitas ao castigo de Deus” (Romanos 3.19). Assim temos apenas dois caminhos a seguir: “Se dissermos que não temos pecado, enganamos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Mas se confessarmos os nossos pecados a Deus, ele cumprirá a sua promessa e fará o que é justo: perdoará os nossos pecados e nos limpará de toda a maldade” (1 João 1.8,9). É isto mesmo, se quisermos enfrentar a justiça de Deus, então o caminho é a perfeição. Esta é uma exigência da Lei de Deus: sejam perfeitos como é perfeito o Pai que está no céu (Mateus 5.48). O resultado, porém, será a condenação divina já que não existe ninguém justo (Romanos 3.10). Mas se desistirmos de nossa honra, desculpas e jeitinhos, aceitando a proposta da nova lei, que “Deus é justo e aceita os que crêem em Cristo” (Romanos 3.26), então a vitória é total e a taça já é nossa. Assim, esperto e inteligente é aquele que não simula mas joga conforme as regras.

Marcos Schmidt

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