Era uma vez um homem que foi ao barbeiro.

Enquanto tinha seus cabelos cortados, filosofavam falando sobre a vida, experiências de cada um e finalmente sobre DEUS

O homem tributava a iluminação divina muito do seu sucesso e o barbeiro ia resmungando aqui e ali suas reticências sobre a forma como DEUS era percebido pelo seu cliente.

Tantas foram as referencias sobre o assunto, que repentinamente o barbeiro, sujeito incrédulo, não agüentando mais tanta religiosidade falou:

– Deixa disso, meu caro, DEUS não existe! Pelo menos não como você está enxergando.

Surpreso com tal demonstração de ateísmo, o homem retrucou: – Por quê?

O barbeiro deu de ombros e respondeu:

– Ora, se DEUS existisse mesmo, não haveriam tantos doentes, mendigos, pobres, etc… Olhe em volta e veja quanta tristeza. É só andar pelas ruas para constatar.

Sem ter argumentos contra tanta eloqüência, o homem gaguejou de volta. – Talvez…

Após terminado o corte de cabelo, o freguês pagou o barbeiro e foi saindo da barbearia, quando avistou imediatamente um homem maltrapilho, imundo, com longos e feios cabelos, barba desgrenhada, suja, abaixo do pescoço.

Girou nos calcanhares e voltando-se para o barbeiro que limpava o assento onde estivera comentou:

– Sabe de uma coisa? Você falou da sua descrença em DEUS

e eu quero lhe falar que não acredito que barbeiros existam!

Surpreso, o barbeiro falou: – Como?

– É claro! – continuou o homem – se existissem barbeiros, certamente não haveriam pessoas de cabelos e barbas compridas e sem trato, não é?

O barbeiro então, dando de ombros mais uma vez, respondeu:

– Ora, existem porque evidentemente não vêm a mim!

O homem abriu um largo sorriso e disse:

– Agora você me respondeu porque existe tanta tristeza em torno de nós.